terça-feira, 26 de janeiro de 2010

René Cabañas Rojas Higuita

Em uma rápida conversa no carro na tarde de hoje (ontem, 26) sobre Cabañas, Seu Valério - grande amigo no Jornal Município Dia a Dia - misturou tudo e disse que o goleiro do Paraguai que tinha defendido o pênalti de calcanhar estava morto. Esse mesmo goleiro era aquele que tinha se cortado propositalmente em um jogo contra o Brasil nas eliminatórias da Copa (?).

Vamos aos fatos:

1)
O baleado é Cabañas, atacante paraguaio que atua no América, do México, ferido na cabeça por arma de fogo em um “estabelecimento” no Sul da Cidade do México. A última informação, à 1h10min de quarta-feira, 27, é de que ele foi submetido à cirurgia e já recebe visitas no hospital.

OBS1.1: Dançarina cubana pode ter sido pivô do incidente

OBS1.2: Dançarina cubana pode ter sido pivô de incidente

OBS2: Sempre os comunistas! HAHAHAHHA

2)
René Higuita, goleiro colombiano, defendeu um chute de fora da área com os calcanhares, em um lance que foi batizado de Scorpion Kick, no amistoso entre as seleções de Colômbia e Inglaterra em 1995. Ele voltou aos noticiários esportivos hoje (ontem, 26) por anunciar sua aposentadoria.

OBS1: Veja o lance mais famoso da carreira do goleiro escorpião
OBS2: Saiba mais sobre a vida de Higuita na Desciclopédia

3)
Mas, o assunto mais aguardado por mim é sobre o jogo da eliminatórias da Copa de 1990 (lembro de ter assistido ao vivo o fato na transmissão do SBT em que o mascote da emissora era o Laranjinha – cópia do Naranjito de 1986) entre Brasil x Chile no Maracanã. Fato: o goleiro chileno Roberto Rojas fingiu ter sido atingido por um sinalizador disparado pela torcedora brasileira Rosemary Mello. Ele utilizou uma lâmina para cortar o próprio rosto e abandonou o gramado. A Fifa puniu a farsa com dureza: suspendeu o Chile da Copa de 1994 e afastou Rojas do futebol.

OBS1: E a Rosemary Fogueteira? Foi parar na capa da Playboy

OBS2: Lembro que na época (eu estava com 8 anos), o que mais me chamou a atenção é que ela tinha o mesmo sobrenome do presidente da República recém eleito: Mello lembra alguma coisa?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Viagem ao fim do mundo

Remando no Fiorde Comau - A expedição de Álvaro Walendowsky pelos fiordes patagônios iniciou aos pés do vulcão Hornopirén, no Chile

Você já se imaginou passando parte das férias em um dos lugares mais remotos do mundo? Pois o brusquense Álvaro Walendowsky embarcou em uma aventura de cinco dias pelos fiordes Patagônios no Chile, considerado uma das regiões menos visitadas do planeta. Algumas das razões para o ser humano se manter longe do lugar são as condições inóspitas que ele apresenta, com variações de maré de 8 a 10 metros, instabilidade climática e muito frio. Mas, sem dúvida, a beleza natural recompensa qualquer esforço. "Optei por conhecer esse lugar por ser diferente, desconhecido e remoto", afirma Álvaro. "Durante a expedição, enfrentei tempo instável, frio, dormi em acampamentos com a mínima estrutura que eram montados nas Rain Forest, uma floresta úmida e muito parecida com a floresta tropical do Brasil", comenta. "Mas a beleza da fauna e flora do lugar é incrível", completa o aventureiro que encontrou orcas, golfinhos, leões-marinhos, falcões e cisnes selvagens no trajeto de 55km remados pelos fiordes a bordo de caiaques oceânicos.

>>> Veja mais fotos da viagem no site do Jornal Município Dia a Dia

Maiores e com lemes controlados por pedais, os caiaques oceânicos são de fácil adaptação até para pessoas menos experientes, como explica Álvaro. O período de remada durante a expedição também foi curto, e o aventureiro teve tempo de sobra para conhecer a região, localizada dentro do
Parque Pumalin, na região austral do Chile e banhada pelo oceano Pacífico. A terra onde está localizado o parque é propriedade particular do norte-americano Douglas Tompkins - empresário convertido à ecologista e que construiu sua fortuna com o vestuário esportivo North Face - e foi declarada Santuário Natural da Humanidade em 19 de agosto de 2005.

Além de Álvaro, a expedição foi formada pela norte-americana Taylor Buchanan, guia da empresa Alsur Expediciones, e pela chilena Margarita Altamira, dois tripulantes do barco de apoio completaram a equipe: o capitão Antônio Mendes Perez e o tripulante Martin Paracón, descendente Mapuche, etnia que povoava a região centro-sul do Chile. "Esses homens fornecem a previsão do tempo no local melhor do que qualquer sistema meteorológico moderno. Além disso, conhecem os locais exatos para ancorar o barco, já que na variação da maré ele pode ficar encalhado nas pedras", revela Walendowsky.

Mar adentro

A expedição inicia com uma viagem seis horas pelas estradas chilenas a partir de Puerto Varas, no Sul do Chile, até a pequena cidade de Hornopirén, aos pés do vulcão que dá nome ao vilarejo - Hornopirén significa forno nevado. É deste ponto que se inicia o primeiro dia de remada no caiaque oceânico pelo Fiorde Comau até a Ilha Llancahué. São cerca de três horas de esforço para encontrar a base do primeiro acampamento. De acordo com Álvaro, a empresa Alsur Expediciones fornece todo o equipamento - caiaques, barracas e alimentação - sendo necessário que o aventureiro leve apenas o equipamento pessoal, como roupas quentes e que isolem o remador da umidade, saco de dormir e isolante térmico. "Remamos principalmente pela manhã, pois à tarde entra o vento Sul e o mar cresce. Com ondas grandes fica impossível de remar. Interessante que o clima é muito peculiar. Se o vento é Sul, o mar enche de ondas, se o vento é Norte, chove", destaca. "Por esse motivo, a expedição depende completamente das condições climáticas. Tive muita sorte, porque dos cinco dias que passei nos fiordes, somente um choveu. Mas é bom a pessoa saber que a previsão para o local é de tempo ruim todo instante", lembra.

No segundo dia de expedição, a equipe remou dentro do Fiorde Quintupeu. O momento mais marcante dessa perna da aventura, de acordo com Álvaro, é o encontro com a colônia de leões-marinhos. "Eles são muito grandes e sempre tem alguns machos maiores que ficam te observando. Quando eles percebem que tu estás muito próximo, entram na água, onde se sentem protegidos, e é bom evitar um encontro com eles", avalia. "Durante a expedição também cruzamos com orcas pelo caminho, o que soubemos depois se tratar de algo raro, pois elas visitam a região somente de duas a quatro vezes ao ano", comenta. Para se alimentar durante a expedição, a equipe pescou, e em locais que o acampamento se tornou impossível, o barco serviu de moradia durante a noite.

A terceira perna da expedição é a mais longa, pois a equipe remou dentro do Fiorde Cahuelmo e passa duas noites no local para conhecer as piscinas de água quente, proveniente da atividade vulcânica na região, e de água fria, que descem das geleiras em direção ao oceano. "No local existem banheiras de água quente escavadas na pedra. Esses locais foram produzidos pela intervenção humana, feitos pelos Chonos, um povo que vivia na região. O interessante é que existem canais que interligam essas banheiras e cada uma tem a temperatura da água diferente da outra", revela Álvaro.

No último dia de viagem, a expedição passou pela Fundación San Ignácio del Huinay, local de referência em pesquisa biogeográfica da região e que fornece educação para as crianças do povoado. Nesse ponto, os aventureiros conheceram o rio Porcelana, local de beleza exótica e de características peculiares. "Nesse rio, a água quente corre ao lado de corredeira de água fria e tem um ponto em que o rio de água fria passa por baixo do rio de água quente em uma passagem subterrânea", descreve.

Depois da experiência com os caiaques oceânicos, Álvaro Walendowsky está se preparando para fazer uma expedição ao Jorge Montt Glaciar, geleiras ao Sul do Chile. Serão duas semanas de remadas, sem barco de apoio, que exigem que o aventureiro tenha conhecimento de acampamento em locais remotos e nível de canoagem avançado.

Fiordes Patagônios mais próximos

Ao realizar a viagem de cinco dias pelos fiorde Patagônios do Chile, Álvaro Walendowsky se tornou o primeiro brasileiro a ser guiado pela Alsur Expediciones, empresa que há cerca de 20 anos possui a autorização para explorar o turismo de aventura na região. Em contato com o proprietário da empresa, Gerardo Niclechec, o aventureiro brusquense passou a ser o representante da Alsur Expediciones no Brasil e estuda um roteiro mais amplo para explorar a região. De acordo com Álvaro, a expedição programada terá sete dias e seis noites na região, incluindo um tour pelos vulcões de Hornopirén, uma visita ao Lago Todos os Santos e um rafting no rio Petrohue. O pacote deve custar cerca de R$ 3,5 mil com despesas para o transporte aéreo.

Fale com o aventureiro: Álvaro Walendowsky - alvaro_w12@terra.com.br

Texto: Elton555
Foto: Taylor Buchanan (USA) / Divulgação

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Murilo Fischer fora do páreo


Um dos principais nomes do ciclismo brasileiro, Murilo Fischer, 30 anos, deixa claro que não aceita ser tratado como cavalo de corrida no mundo do esporte de rendimento, e que um “obrigado” vale tanto quanto qualquer salário. Portanto, assim que chegou de férias ao Brasil, fomos conversar com ele e saber mais sobre a experiência da paternidade, a carreira na Itália, um possível retorno ao país e sua participação nos Jasc 2010. Fischer falou.

Murilo Antônio Fischer nasceu em Brusque em 16 de junho de 1979. É ciclista profissional desde 2004, e mora em Treviso, na Itália, há oito anos e meio. Despontou na equipe Caloi em 2000, um ano depois foi fazer um teste no ciclismo europeu e se deu bem. Competiu pela Domina/Vacanze, equipe pela qual venceu a UCI Europe Tour em 2005, e pela Torino antes de chegar à Liquigás, equipe da qual se despede no fim deste ano, depois de defender suas cores por três temporadas. Em 2000, também foi o ano da estreia de Murilo Fischer em Jogos Olímpicos, conquistando o 89º lugar em Sidney. Quatro anos depois, em Atenas, Murilo foi o 62º colocado, e em Pequim, no ano passado, se tornou o ciclista brasileiro com a melhor marca em Olimpíadas ao terminar a competição na 20ª posição.
Depois de enfrentar uma temporada repleta de acidentes e fraturas, Murilo pode considerar 2009 como um divisor de águas em sua vida. Além de acertar contrato com uma nova equipe, o atleta encerra o ano na companhia da esposa Francine e do mais novo integrante da família Fischer, Luca, de nove meses. Novos objetivos traçados, é momento de saber o que Murilo Fischer tem a dizer.

Perro Itinerante:
Depois de três temporadas, você está encerrando o contrato com a equipe italiana Liquigás. Existe a possibilidade de acertares com alguma outra equipe Pro Tour para 2010?

Murilo Fischer:
Tudo está se encaminhando para que nesta semana eu possa anunciar o nome da minha nova equipe. Eu analiso todas as possibilidades, inclusive a de voltar para o Brasil. Mas, preciso colocar tudo na balança e pesar. Até porque depois de oito anos e meio competindo na Europa e uma vasta experiência, poderei contribuir para o desenvolvimento do ciclismo brasileiro.

PI:
Como é a cobrança de um ciclista profissional em uma equipe de ponta?

MF:
Passei para profissional em 2004, e nos três primeiros anos na Itália, correndo pela Domina Vacanze e pela Torino, fui acostumado a viver em um ambiente mais humano, até porque eram equipes menores. Já na Liquigás, na qual acredito que os investimentos por ano giram em 7 a 8 milhões de Euros (cerca de R$ 20,5 milhões), automaticamente, quando se começa a falar em muito dinheiro, a parte humana fica de lado e só resta o profissional. Sempre fiz meu trabalho, mas a cobrança é enorme e muito estressante. Ao invés de te passarem tranquilidade, nas equipes grandes tu és tratado igual a cavalo de corrida, no qual eles acham que cinco têm que ganhar uma única prova.

PI:
Mas o ciclismo é um esporte de equipe, não é?

MF: O ciclismo é um esporte coletivo, mas ao mesmo tempo é individual. Porque tudo depende do trabalho de equipe, mas quem ganha é um só. O Lance Armstrong (ciclista norte-americano) ganhou sete Tours de France seguidos, mas, se ele estivesse correndo sozinho, não ganhava nenhum. Existe toda uma tática de corrida, para anular certos momentos de fuga, para levar água até o líder, então todo mundo tem que ser valorizado.

PI:
Na Liquigás você trabalhou bastante pela equipe?

MF:
Nos primeiros dois anos, nós tínhamos uma equipe muito forte, com o Filippo Pozzato, o golden boy italiano, e sempre trabalhamos para ele andar bem. Então, foram dois anos suados, porque é uma grande responsabilidade colocar o cara no lugar certo, fazer o máximo por ele. Pelo Filippo sempre fui reconhecido, tanto que ele me convidou para correr na equipe dele no ano que vem, mas, por outro lado, não fui reconhecido pela diretoria da Liquigás como eu gostaria. Para a eles, eu só fiz a minha obrigação. Eu sei disso, mas, todo mundo gosta de receber um elogio.

PI
: Em oito anos e meio competindo na Itália, você alcançou seus objetivos?

MF:
Consegui realizar muitos sonhos, e realizar sonhos sempre é legal. Realizei muitas coisas que eu sonhava, como me tornar profissional, o que é muito seletivo. No profissional,ou tu paga para entrar, que não foi o meu caso, ou tu entras por mérito. Entrar por mérito é a realização de um sonho. Além disso, realizei muitos outros sonhos pessoais, conheci lugares e pessoas. Em 2000, eu tinha 21 anos, era a minha primeira Olimpíada, e corri ao lado de Jan Ullrich (ciclista alemão que foi medalha de ouro na prova de estradas nas Olimpíadas de Sidney, em 2000). Participar da Olimpíada é outro sonho que realizei.

“Nas equipes grandes tu és tratado igual a cavalo de corrida” - Murilo Fischer

PI: Você participou das Olimpíadas de 2000, 2004 e 2008. Teremos Murilo Fischer em Londres 2012?

MF:
Meu objetivo, inclusive, é participar em 2016 das Olimpíadas no Rio de Janeiro. Conheço campeão olímpico com 41 anos, então, acho que com 38 anos, com a vida saudável que levo, tudo isso influencia no futuro. Outra coisa que notei é que tive uma grande ascensão em níveis de resultados. Na primeira Olimpíada fiquei em 89º, na segunda em 62º, e depois em 20º. É óbvio que isso demonstra que em oito anos meu rendimento melhorou.

PI:
O piloto de F-1 Fernando Alonso pretende montar uma equipe de ciclismo?

MF:
Surgiu um boato de que o Fernando Alonso, o banco Santander e Red Bull estariam criando uma nova equipe de ciclismo. Até acho estranho a Red Bull nunca ter entrado no ciclismo, que é um esporte que tem tudo a ver com adrenalina e energia. Escutei esse boato, mas não sei o quanto é verdade. Ele (Fernando Alonso) é muito amigo do (ciclista) Alberto Contardor, que ganhou o Tour de France (em 2007 e 2009). Tomara que a equipe seja realmente criada, pois serão 25 novas possibilidades de emprego para os ciclistas.

PI:
Em 2009, nasceu o Luca. Como é a experiência de ser pai?

MF:
Ser pai não tem explicação. Tudo o que todo mundo fala, do sentimento de ser pai, é muito maior e não tem como descrever. Tu não sentes o cansaço, levantas à noite e não tem problema. E quando tu tens um filho é que tu vês realmente a pessoa que tu tens ao teu lado. A Francine (esposa) é uma excelente mãe e que me surpreendeu positivamente em vários aspectos.

PI:
O nascimento do Luca pode interferir na sua decisão ao assinar o próximo contrato?

MF:
Lógico. Todo mundo sabe que a Europa é primeiro mundo, e poder educar um filho no primeiro mundo não há comparação com educar no Brasil, mesmo eu tendo sido educado aqui. Mas, por exemplo, o sistema sanitário que se tem lá (na Europa) é algo incrível, algo que funciona com perfeição. Então, educar um filho é também pensar na saúde, no bem-estar e no futuro dele.

PI:
Existe a possibilidade de você participar dos 50º Jogos Abertos de Santa Catarina, em Brusque no próximo ano?

MF:
Existe a possibilidade, mas preciso saber qual o interesse da Fundação (Municipal de Esportes de Brusque). Assim como posso correr por Brusque, existe a possibilidade de correr por outro município. Vou correr por Brusque se houver um retorno, porque acho completamente antiético contratarem o atleta, o fazer correr os Jogos Abertos, sendo que pessoas como o Carlito e o (Eduardo) Gohr, que tem a escolinha e trabalham o ano todo, não ganham um centavo de ajuda. Então, vai ser meio que uma troca de favores. Se eu perceber que existe a possibilidade de ajudar o ciclismo de Brusque, posso correr. Senão, vou correr por outro município, e o que eu receber com algum contrato, posso ajudar as equipes da cidade. Acho que sou importante para Brusque conseguir algum resultado, mas temos que ver se haverá um retorno. Não adianta só dar e não receber.

PI:
Além do ciclismo, quais são tuas outras paixões?

MF:
Eu sou apaixonado por carros antigos e por relógios. Não tenho coleção de relógios porque é algo muito caro, mas sou apaixonado. E tenho um Dodge Le Baron ano 1979 que consegui comprar com o dinheiro do ciclismo quando eu ainda morava no Brasil.

Texto e Fotos: Elton555
Esta entrevista foi publicada na edição de segunda-feira, 16 de novembro, do
Jornal Município Dia a Dia

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Escrevo para não ser lido

Estou sentado em um banco de cimento em frente à feira popular. Uma senhora de uns 60 anos e um e meio de altura senta-se ao meu lado reclamando do frio que sentia naquela tarde de sol e vento.

Estou lendo Bukowski, e ela reclama do frio mesmo vestindo uma blusa de lã espessa e azul marinho. Até poderia lhe dar atenção, mas as reclamações do Bukowski me interessam mais.

A senhora aguarda o retorno de uma mulher que fora chamar um táxi.

- Vamos, que o taxista ficou me olhando de cara feia.

- Que fique. O trabalho dele será pago, não está fazendo isso de graça.

Naquele momento quis conversar com a senhora de blusa azul marinho, mas ela embarca no táxi e parte.

...

Estou sentado em um banco de cimento em frente à feira popular, esperando a chegada do personagem para os retratos. Tenho que fotografar um candidato a deputado federal com cara de veadinho e lembrei que, numa noite dessas em que o vento faz onda na Baía Sul, deixei um camarada em casa depois de tomar uns tragos e dirigi até um bar em Itaguaçu.

Lá, apareceu um sujeito e seu cachorro. Simpatizei com o perro, que se aproximou, cheirou a barra da perna esquerda da minha calça e se afastou. Já com a cara do sujeito eu não me agradei.

Perguntou meu nome e emendou:

- Gostas de ser mamado ou chupado?

Neguei.

- Gostas de dar um teco?

Neguei novamente.

...

Ali, sentado ao lado da velha friorenta me coloquei a pensar o que levara aquele homem a achar que eu estava disposto a qualquer uma de suas propostas.

- Será que tenho cara de veadinho?

- Ou seria a cara de veadinho do candidato que estampava o vidro traseiro do carro que eu usava que me gabaritava ao patamar de veadinho?

Guardei o caderno onde escrevi essa história e voltei a ler Bukowski. Como sempre, o veadinho estava atrasado.


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Você já chegou lá?


Você já chegou lá? Se não chegou, tudo bem.

O que vale é estar no caminho. Mesmo quando não existe um único caminho.

Porque também não existe um único lá.

Lá pode ser um lugar, um sonho, um desafio, uma conquista.

Ou tudo isso.

Lá estão as pessoas certas, as coisas que você busca e a vida que você quer.

Pode ser longe, demorado, difícil. Mas depois que você chega, vê que valeu a pena.

Texto: Colaboração de Danie Coelho, mas ela não sabe quem é o autor (um dia ela chega lá!)
Foto: Elton555

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Invasão do espaço aéreo de Canelinha

“É amigo, chegar é fácil. Quero ver passar!” (Bueno; G.). Mas, eu e o Mau Haas, repórter do Jornal Município Dia a Dia, passamos... um domingo inteiro debaixo do sol-de-pelar-cara-pálida assistindo às provas do Mundial de Motocross realizadas em Canelinha, a 65 km de Florianópolis.

Vamos aos fatos: há dez anos uma etapa do Mundial não passava pelo Brasil, e o público que foi ao motódromo Arthur Jackowicz conheceu pessoalmente um piloto alemão de 15 anos, Ken Roczen. Ele é a promessa do esporte para os próximos anos.

Correndo na categoria MX2, Roczen deu trabalho para os pilotos mais experientes e terminou a temporada entre os cinco melhores, mesmo não tendo disputado as primeiras etapas do campeonato — por não ter a idade mínima permitida.



>>> Ken Roczen, de 15 anos, chegou a liderar a última bateria da MX2 em Canelinha






>>> O italiano Antônio Cairoli conquistou por antecipação o título na MX2, mas nem por isso deixou de competir em Canelinha


Manter as duas rodas na terra controlando motores de 450cc (MX1) e 250cc (MX2) não é fácil. Agora, é no ar que o bicho pega. Por isso, decidi só postar fotos da invasão do espaço aéreo de Canelinha.













Brasil na MX1: Irmãos Balbi fazendo história










>>> Entre os pilotos brasileiros, Antônio Jorge Balbi conquistou os melhores resultados: 10º lugar na primeira baterial e 11º lugar na segunda bateria


>>> Mari Balbi, 24 anos, entrou para a história do MX1 como a primeira mulher a disputar uma etapa do Mundial (deu pau em muito homem)

Onde fica Canelinha?


Exibir mapa ampliado

Texto e foto: Elton555

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

[IN] Confidências


O trânsito no lado Sul da Ilha não flui, e ele está atrasado para mais uma sessão de fisioterapia – Isso não pode estar acontecendo – Tenta prestar atenção na fila, mas, a imagem das mãos macias tocando sua canela surge em widescreen no campo visual – Alta resolução – O carro da frente para mais uma vez, são 60 segundos até o sinal abrir novamente; mas, a fila não se move – A intensidade da luz de freio no início da noite confunde a pupila – Sinal abre, sinal fecha; pupila dilata, pupila contrai; cachorrinho pra dentro, cachorrinho pra fora, chega uma hora em que o cachorrinho enlouquece.

O paciente está atrasado, e ela gostaria de encerrar o expediente no horário, pois sabe que o trânsito na ponte em direção ao continente é insuportável no fim da tarde – Andando de ônibus? Compre um carro! – O encontro de logo mais à noite serve como tentativa para reatar um amor antigo, algo da época da faculdade, em que ela cursava Fisioterapia e ele Psicologia – geração Saúde – Ele a fez sofrer pela constante indecisão, e ela não o esperou amadurecer os sentimentos – Eduardo e Mônica – Quero ficar sozinho, eu te amo; eu te amo, vou sair com minhas amigas – Chega uma hora em que o cachorrinho enlouquece.

Dificilmente ele chegará no horário combinado e isso não significa que esteja atarefado – You fritter and waste the hours in an off hand way – Só deixa claro que está cansado de cumprir regras, e que, quanto mais o tempo passa, aumentam as chances da pessoa solitária se tornar intolerante com quem interfere sua rotina – Every year is getting shorter, never seem to find the time – Isso vem com o tempo, com a idade e com análise – Este é o conselho ao psicólogo – O que lhe irrita em Time é o barulho dos relógios – É de amalucar-se – Little dog in, little dog out; little dog goes crazy.

O quarto em que ele se encontra mede 3x2 metros, nada há além de uma cama, um armário, uma privada e um par de chinelos – Franciscano ou Havaianas? – Sua rotina é passar as manhãs olhando o teto e as tardes observando a mancha em forma de dinossauro na parede – Cem volts – Detesta olhar pela janela, pois dela assiste à lamentável cena de internos, como ele, vagando feitos zumbis – Cem volts – À noite, eles gritam como loucos, que ironia, feitos “R.M. Renfield, 59 anos, temperamento ansioso, morbidamente excitável, períodos de depressão” de Bram Stoker – Sem volts – Chega uma hora em que o cachorrinho enlouquece.

No meio daquele monte de malucos, ele se destaca – Não é Napoleão – Tem síndrome de perseguição e o domínio da oratória – Nem Alan Delon – Confiava no psicólogo que o visitava todas as tardes porque era um bom ouvinte – Tiradentes, talvez – Mas, houve um certo dia em que o psicólogo não apareceu – Isso, é Tiradentes; convence-se de que é Tiradentes – Todos precisam conhecer o segredo, e em pouco tempo cerca-se de sua verdade – Maldita monarquia – Fareja a conspiração antes mesmo dela existir – Silvério dos Reis – Morre enforcado em um quarto de 3x2 metros – Inconfidência.

Começa a chover, e ele não sairá mais de casa – Dê tempo ao tempo, disse o meteorologista – Transporte coletivo em dias como este é lotado, e a passagem é cara - Andando de carro? Compre um ônibus! – Remember when you were young – Decididamente não há mais nada a ser dito – O dia foi péssimo com o suicídio do paciente que nos últimos tempos insistia em ser o alferes mineiro – Deixa o telefone tocar, deve ser ela querendo confirmar o local e a hora do encontro – Nos últimos meses ele inspirava preocupações – Afirmava poder matar pessoas com uma arma de ar comprimido – Por conviver em um local onde os fracos não têm vez.

Ela tenta mais uma vez, mas, ele não atende ao telefone – O paciente está atrasado, e todo seu cronograma se alterou – Detesta perder o controle da situação – Que vontade de chorar! – Aquele velho tarado tinha que agendar uma sessão no último horário? – Deve querer ficar a sós no consultório – A sombrinha ao alcance das mãos é o primeiro plano para ela desvencilhar-se de qualquer tentativa de assédio – Sente nojo em tocar aquela pele branca da canela dele; com pelos longos, negros e escassos – Corretor de imóveis metódico que carrega uma calculadora no bolso da camisa e faz questão de digitar dois zeros após a vírgula.

Escolheu o melhor par de meias marrom para a sessão de logo mais – Está próximo ao consultório – A estratégia é arregaçar a calça até o joelho, e esperar as mãos suaves lhe tocarem – Alta resolução – Fisioterapia na canela? – Falta vaga para estacionar; No Centro sempre é uma dificuldade encontrar um local para deixar o carro – Sente falta do carinho de uma mulher – É de amalucar-se – Carência afetiva – Nos últimos meses ele inspirava preocupações – A sombrinha não conseguiu detê-lo – Cachorrinho pra dentro, cachorrinho pra fora, chega uma hora em que o cachorrinho amolece.

Texto e foto: Elton555