sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Viagem ao fim do mundo

Remando no Fiorde Comau - A expedição de Álvaro Walendowsky pelos fiordes patagônios iniciou aos pés do vulcão Hornopirén, no Chile

Você já se imaginou passando parte das férias em um dos lugares mais remotos do mundo? Pois o brusquense Álvaro Walendowsky embarcou em uma aventura de cinco dias pelos fiordes Patagônios no Chile, considerado uma das regiões menos visitadas do planeta. Algumas das razões para o ser humano se manter longe do lugar são as condições inóspitas que ele apresenta, com variações de maré de 8 a 10 metros, instabilidade climática e muito frio. Mas, sem dúvida, a beleza natural recompensa qualquer esforço. "Optei por conhecer esse lugar por ser diferente, desconhecido e remoto", afirma Álvaro. "Durante a expedição, enfrentei tempo instável, frio, dormi em acampamentos com a mínima estrutura que eram montados nas Rain Forest, uma floresta úmida e muito parecida com a floresta tropical do Brasil", comenta. "Mas a beleza da fauna e flora do lugar é incrível", completa o aventureiro que encontrou orcas, golfinhos, leões-marinhos, falcões e cisnes selvagens no trajeto de 55km remados pelos fiordes a bordo de caiaques oceânicos.

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Maiores e com lemes controlados por pedais, os caiaques oceânicos são de fácil adaptação até para pessoas menos experientes, como explica Álvaro. O período de remada durante a expedição também foi curto, e o aventureiro teve tempo de sobra para conhecer a região, localizada dentro do
Parque Pumalin, na região austral do Chile e banhada pelo oceano Pacífico. A terra onde está localizado o parque é propriedade particular do norte-americano Douglas Tompkins - empresário convertido à ecologista e que construiu sua fortuna com o vestuário esportivo North Face - e foi declarada Santuário Natural da Humanidade em 19 de agosto de 2005.

Além de Álvaro, a expedição foi formada pela norte-americana Taylor Buchanan, guia da empresa Alsur Expediciones, e pela chilena Margarita Altamira, dois tripulantes do barco de apoio completaram a equipe: o capitão Antônio Mendes Perez e o tripulante Martin Paracón, descendente Mapuche, etnia que povoava a região centro-sul do Chile. "Esses homens fornecem a previsão do tempo no local melhor do que qualquer sistema meteorológico moderno. Além disso, conhecem os locais exatos para ancorar o barco, já que na variação da maré ele pode ficar encalhado nas pedras", revela Walendowsky.

Mar adentro

A expedição inicia com uma viagem seis horas pelas estradas chilenas a partir de Puerto Varas, no Sul do Chile, até a pequena cidade de Hornopirén, aos pés do vulcão que dá nome ao vilarejo - Hornopirén significa forno nevado. É deste ponto que se inicia o primeiro dia de remada no caiaque oceânico pelo Fiorde Comau até a Ilha Llancahué. São cerca de três horas de esforço para encontrar a base do primeiro acampamento. De acordo com Álvaro, a empresa Alsur Expediciones fornece todo o equipamento - caiaques, barracas e alimentação - sendo necessário que o aventureiro leve apenas o equipamento pessoal, como roupas quentes e que isolem o remador da umidade, saco de dormir e isolante térmico. "Remamos principalmente pela manhã, pois à tarde entra o vento Sul e o mar cresce. Com ondas grandes fica impossível de remar. Interessante que o clima é muito peculiar. Se o vento é Sul, o mar enche de ondas, se o vento é Norte, chove", destaca. "Por esse motivo, a expedição depende completamente das condições climáticas. Tive muita sorte, porque dos cinco dias que passei nos fiordes, somente um choveu. Mas é bom a pessoa saber que a previsão para o local é de tempo ruim todo instante", lembra.

No segundo dia de expedição, a equipe remou dentro do Fiorde Quintupeu. O momento mais marcante dessa perna da aventura, de acordo com Álvaro, é o encontro com a colônia de leões-marinhos. "Eles são muito grandes e sempre tem alguns machos maiores que ficam te observando. Quando eles percebem que tu estás muito próximo, entram na água, onde se sentem protegidos, e é bom evitar um encontro com eles", avalia. "Durante a expedição também cruzamos com orcas pelo caminho, o que soubemos depois se tratar de algo raro, pois elas visitam a região somente de duas a quatro vezes ao ano", comenta. Para se alimentar durante a expedição, a equipe pescou, e em locais que o acampamento se tornou impossível, o barco serviu de moradia durante a noite.

A terceira perna da expedição é a mais longa, pois a equipe remou dentro do Fiorde Cahuelmo e passa duas noites no local para conhecer as piscinas de água quente, proveniente da atividade vulcânica na região, e de água fria, que descem das geleiras em direção ao oceano. "No local existem banheiras de água quente escavadas na pedra. Esses locais foram produzidos pela intervenção humana, feitos pelos Chonos, um povo que vivia na região. O interessante é que existem canais que interligam essas banheiras e cada uma tem a temperatura da água diferente da outra", revela Álvaro.

No último dia de viagem, a expedição passou pela Fundación San Ignácio del Huinay, local de referência em pesquisa biogeográfica da região e que fornece educação para as crianças do povoado. Nesse ponto, os aventureiros conheceram o rio Porcelana, local de beleza exótica e de características peculiares. "Nesse rio, a água quente corre ao lado de corredeira de água fria e tem um ponto em que o rio de água fria passa por baixo do rio de água quente em uma passagem subterrânea", descreve.

Depois da experiência com os caiaques oceânicos, Álvaro Walendowsky está se preparando para fazer uma expedição ao Jorge Montt Glaciar, geleiras ao Sul do Chile. Serão duas semanas de remadas, sem barco de apoio, que exigem que o aventureiro tenha conhecimento de acampamento em locais remotos e nível de canoagem avançado.

Fiordes Patagônios mais próximos

Ao realizar a viagem de cinco dias pelos fiorde Patagônios do Chile, Álvaro Walendowsky se tornou o primeiro brasileiro a ser guiado pela Alsur Expediciones, empresa que há cerca de 20 anos possui a autorização para explorar o turismo de aventura na região. Em contato com o proprietário da empresa, Gerardo Niclechec, o aventureiro brusquense passou a ser o representante da Alsur Expediciones no Brasil e estuda um roteiro mais amplo para explorar a região. De acordo com Álvaro, a expedição programada terá sete dias e seis noites na região, incluindo um tour pelos vulcões de Hornopirén, uma visita ao Lago Todos os Santos e um rafting no rio Petrohue. O pacote deve custar cerca de R$ 3,5 mil com despesas para o transporte aéreo.

Fale com o aventureiro: Álvaro Walendowsky - alvaro_w12@terra.com.br

Texto: Elton555
Foto: Taylor Buchanan (USA) / Divulgação

1 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto.. gostaria de me aventurar assim